domingo, 17 de março de 2013

O sebo de boi e o de carneiro não se saponificam facilmente pelas lixivias concentradas, sendo preferível aquecê-los primeiro com uma lixívia fraca, duma densidade de 1,072 a 1,088 (10 a 12 graus Baumé) Antes de se dar começo à saponificação, deve-se passar o sebo ao estado globular, o que se obtém aquecendo-o em água à temperatura de 45 graus centígrados, pouco mais ou menos, contendo em solução 4-9 por cento de sabão, mexendo depois tudo muito bem. A gordura reduz-se rapidamente, por este processo apresentando uma grande superfície à acção da lixívia. É necessário que o fabricante tenha em vista que deve empregar, tanto quanto possível, lixívia que não tenham cloreto de sódio (sal comum),porque a presença deste último torna-se muito nociva à saponificação. O melhor processo a seguir é deitar primeiro na caldeira a quarta parte da lixívia necessária para a saponificação completa, levá-la à ebulição e juntar, depois, ao líquido a totalidade de sebo. Se a lixívia estiver bem preparada, a gordura combina-se imediatamente com ela, formando um líquido leitoso que, pouco a pouco, se vai tornando opalizo e duma consistência maior. No começo da operação forma-se sempre à superfície do líquido uma espuma abundante que depois vai diminuindo. Logo que esta tenha cessado por completo, pode-se considerar ultimada a massa saponácea, que então deve apresentar uma certa homogeneidade, aderindo, em camada espessa, à espátula e correndo em fios delgados e brilhantes. Para o sabão de sebo convém muito o emprego de duas lixívia de concentrações diferentes, devendo-se começar pela mais fraca, que serve também para fazer passar o sebo ao estado globular, ajuntando-se-lhe, uma hora depois, pouco mais ou menos, a segunda lixívia mais concentrada e que deve ter entre 15 a 18 graus Baumé, ou uma densidade de 1,113 a 1,133. A presença duma lixívia muito forte reconhece-se, porque esta não se combina com o sebo, rodeando-o e dando origem a um desenvolvimento grande de vapor, sem produzir a saponificação. Obviamente a este inconveniente juntando água à lixívia até que esta apresente o preciso grau de concentração. A lixívia muito fraca também se não combina com o sebo. Quando as lixívia tenham perdido as suas qualidades cáusticas produzem efervescências em presença dum ácido, sendo por consequência, fácil de verificar este inconveniente. Quando o sebo ou a lixívia estão em quantidade insuficiente, reconhece-se pelo exame sobre a placa de vidro, conforme já indicamos ao tratar da saponificação. Logo que a formação da massa saponácea está concluída, isto é, quando, sobre uma pequena chapa de vidro, o sabão se apresenta duma maneira igual, podendo separar-se facilmente da superfície da placa, dá-se começo à salga, que tanto pode ser feita com o sal de cozinha, como com uma lixívia concentrada de soda cáustica. Quando a saponificação é feita por meio duma lixívia de potassa a lixívia mãe contém cloreto de potássio, portanto, ser utilizada para nova salga. O cloreto de sódio (sal comum) não é a única substância que possui a propriedade de separar o sabão das suas soluções; outras há que produzem o mesmo resultado. A salga não produz a separação do sabão duma maneira imediata, mas sim depois da solução completa do sal. A massa saponácea transforma-se, pouco a pouco, em uma massa flocosa branca. Reconhece-se que a operação está completa logo que o sabão se encontre em placas à superfície. Extingue-se então o fogo ou suspende-se o vapor, se o fabrico é o vapor, e deixa-se tudo em repouso durante algumas horas, até que o sabão se tenha separado em absoluto da sua lixívia mãe. Operada a separação, retira-se a lixívia, ou abrindo a torneira que deve existir no fundo da caldeira ou por meio duma bomba no caso de não haver torneira, e procede-se em seguida à clarificação que tem por fim completar a saponificação. Para a clarificação ajunta-se ao sabão, pouco a pouco e por pequenas porções, uma lixívia duma densidade média de 1,138 a 1,157 (18 a 20 graus Baumé). No começo da cozedura, o sabão produz bastante espuma cujo desaparecimento indica o fim da operação. Sempre que o sabão ofereça à pressão uma consistência viscosa, untuoso, é indício de que ainda existe gordura não saponificada, defeito este que deve ser corrigido pela adição de gordura e por uma nova clarificação. Logo que o fabrico esteja terminado, deixa-se o sabão solidificar dentro das formas. Quando o sabão sai com uma cor muito carregada, é porque as matérias-primas que foram empregadas na sua composição não eram absolutamente puras e então deve eliminar-se a lixívia mãe e tratar o sabão por meio de novas quantidades de lixívia fraca, ou somente pela primeira, segunda, terceira, ou quarta água, se a saponificação estiver ultimada. Quando se tratar de obter um sabão granulado que não deva ser muito duro, nem dificilmente solúvel, submete-se à operação denominada purificação de que já nos ocupamos. A purificação pratica-se em muitos casos não pelos benefícios que dela resultam, mas porque assim se obtém um bom raiado no sabão, o que é considerado por muitos consumidores como um indício de boa qualidade, sem que, na realidade, isso tenha uma influência especial. O raiado do sabão não se pode obter desde que este não contenha uma determinada quantidade de água, que lhe é dada na purificação. O sabão suficientemente hidratado arrefece lentamente, dando origem a formação de uns belos veios.